
Decorreu entre os dias 27 e 28 de Outubro, na Cidade de Maputo, a avaliação do uso da ferramenta Índice de Capacidade de Resposta a Desastres (ICR), no âmbito do projecto “Preparação e Adaptação Climática Inovadora e Transformadora”.
A iniciativa é liderada pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), em parceria com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e o Instituto Hondurenho de Ciências da Terra (IHCIT).
O ICR é uma ferramenta inovadora que permite avaliar a capacidade de resposta a desastres com base em quatro dimensões-chave: governança, infraestrutura, serviços essenciais e participação comunitária. A sua aplicação prática em Maputo marca um passo importante na adaptação da ferramenta à realidade moçambicana, com vista a apoiar a planificação multissectorial e a tomada de decisões informadas.
“Esta avaliação irá permitir identificar com maior clareza os pontos fortes e os desafios que enfrentamos na resposta a desastres. É uma abordagem que valoriza o contexto local e promove soluções integradas,” afirmou Alexandre em representação da Delegada do INGD cidade de Maputo.
Durante o exercício, foram analisados dados reais e discutidas estratégias para melhorar a coordenação entre instituições, a comunicação de risco e a resiliência das infraestruturas urbanas. A iniciativa envolve o Conselho Técnico de Gestão e Redução do Risco de Desastres e técnicos de várias áreas, representantes comunitários e especialistas em gestão do risco de desastres.
“O ICR não é apenas uma ferramenta técnica, é um instrumento de transformação. Ao aplicá-lo, conseguimos visualizar onde estamos e para onde devemos ir,” destacou Dionísio Varela, da FDC.
Moçambique torna-se, com esta iniciativa, o primeiro país da África Austral a implementar o ICR, posicionando-se como referência regional na inovação para a gestão de riscos climáticos. A expectativa é que os resultados desta avaliação sirvam de base para a expansão da ferramenta a outros distritos vulneráveis do país.
“Participar nesta avaliação foi revelador. Percebemos que a nossa comunidade tem potencial, mas precisa de apoio estruturado para enfrentar os riscos climáticos, há necessidade de se capacitar e revitalizar os Comités Operativos de Emergência ” partilhou Tânia Carlota Sengo, responsável da repartição de resiliência e mudanças climáticas no Município de Maputo.
A aplicação prática do ICR reforça o compromisso nacional com a resiliência climática, promovendo uma governação mais eficaz, inclusiva e baseada em evidências. Os próximos passos incluem a sistematização dos resultados e a integração da ferramenta nos processos de planificação distrital.