Foi lançada no dia 24 de Março de 2025, em Metuge, Cabo Delgado, a Campanha Universal de Distribuição de Redes Mosquiteiras 2025-2026. A cerimónia foi orientada pelo Governador da Província, Valige Tauabo, tendo participado a população local, organizações da sociedade civil e o Ministério da Saúde.
A meta de acesso universal é de pelo menos uma rede para cada duas pessoas, ‘’e a província de Cabo Delgado prevê distribuir cerca de 2 milhões de redes’’, fez saber Adelino Xerinda, Director de Programas na FDC, parceiro da Sociedade Civil que apoia o Governo nas acções de prevenção da Malária em Cabo Delgado e Manica. Os números volumosos descritos acima escondem rostos, como o de Ana, mãe de três filhos, que perdeu o caçula por causa da malária há dois anos. “Agora, quando vejo a rede, sinto que posso proteger o que restou”, diz, segurando a nova rede mosqueira que lhe foi entregue pelo Governador da Província como a primeira família para entrega simbólica.
Os dados mostram avanços: em 2024, o país registrou 11,6 milhões de casos, uma redução de 13% em relação a 2023. Em Cabo Delgado, a redução foi de 25%. “Isso não é sorte. É fruto de comunidades que usam correctamente a rede mosquiteira e outros métodos de prevenção”, afirma o governador Valige Tauabo.
A estratégia para este ano, inclui agentes de campo que batem de porta em porta, levando não apenas redes, mas educação sobre prevenção da malária. São 2.164 equipas de distribuição ou simplesmente “guardiões da esperança”, como os chama a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), treinados para ensinar que uma rede mal usada é um esforço reduzido a zero.
‘’Mas o desafio persiste. Chuvas intensas previstas para 2025 ameaçam aumentar focos de reprodução de mosquitos’’, alerta o Director Nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, afirmando que o apelo é claro: ‘’pais devem ensinar filhos a dormirem protegidos; líderes, a mobilizar comunidades; jovens, a serem mensageiros em aldeias remotas’’, disse.
Fernandes fez notar que há outras acções combinadas de inovação no controlo da malária, com destaque para quimioprevenção sazonal (Nampula e Niassa), a quimioprevenção perenal (Sofala) e a vacinação preventiva (Zambézia). “Mas nenhuma tecnologia substitui a responsabilidade individual. Usem as redes todos os dias”, alertou.
Enquanto o sol se põe sobre Metuge, Ana prepara a rede para os filhos. “Agora, quando ouço o mosquito, penso: ‘Hoje, você não vencerá’”.