
A Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), em parceria com o ChildFund, o Fundo de Monitoria Orçamental (FMO) e o ROSC – Fórum da Sociedade Civil para os Direitos da Criança, realizou no dia 21 de Maio um Workshop de Apresentação de Resultados de Estudos sobre o Desenvolvimento da Primeira Infância (DPI).
O evento juntou diversas organizações da sociedade civil num espaço de diálogo e reflexão sobre políticas públicas, financiamento e estratégias sustentáveis para promover o bem-estar e o desenvolvimento integral das crianças moçambicanas.

Durante o workshop, o Administrador-Delegado da FDC, Dr. Diogo Milagre, lançou uma reflexão provocadora:
“Qual é o custo de oportunidade de não investir no Desenvolvimento da Primeira Infância em Moçambique?”
Segundo o Dr. Milagre, o investimento no DPI não deve ser encarado apenas como uma questão social, mas como uma estratégia central de desenvolvimento.
“Trata-se de um investimento estratégico no capital humano. Colocar o DPI como pilar estrutural do desenvolvimento é reconhecer que não há desenvolvimento possível sem cuidar da infância.”
O Administrador-Delegado também abordou a alegada falta de vontade política no sector, clarificando que o verdadeiro obstáculo reside na falta de conhecimento e sensibilização sobre a importância do DPI:
“Não é falta de vontade política — é ignorância”, afirmou, apelando à sociedade civil para intensificar os esforços de formação e advocacia junto dos decisores políticos.Numa crítica lúdica, suave e construtiva, Diogo Milagre rebateu a tese segundo a qual existe uma falta de vontade política no compromisso com o Desenvolvimento da Primeira Infância (DPI) ao nível das instituições político-governamentais.
Segundo Milagre, há uma clara ignorância, por parte de certas lideranças, em matérias relacionadas ao Desenvolvimento da Primeira Infância. No entanto, enfatizou que essa ignorância decorre da ausência de conhecimento, e não de má-fé. Pelo que:
- Urge que as Organizações da Sociedade Civil promovam formações e capacitações em DPI voltadas aos mais altos órgãos da representação política, aproveitando a abertura já demonstrada pelo Parlamento.
“Somente uma liderança formada, informada e consciente será capaz de integrar o DPI nas decisões governamentais.”
A representante do FMO, Benilde Nhalivilo, reforçou a importância do compromisso institucional com a primeira infância, destacando dados que demonstram os altos retornos económicos e sociais desse investimento:
“Investir 1 dólar numa criança pode trazer um retorno de até 17 dólares”, afirmou, apelando à integração do tema em todas as intervenções das organizações da sociedade civil.
Nhalivilo sublinhou ainda a necessidade de envolver activamente todos os sectores da sociedade na defesa dos direitos da criança e na construção de políticas públicas sustentáveis e inclusivas.

Um dos principais consensos do workshop foi a necessidade urgente de capacitar lideranças políticas e institucionais em matérias relacionadas com o DPI.
A FDC e os parceiros reconhecem que apenas uma liderança formada, informada e consciente poderá garantir que o Desenvolvimento da Primeira Infância seja integrado nas prioridades nacionais e nas decisões governamentais.
O Workshop marca mais um passo importante na construção de consensos e estratégias conjuntas para assegurar que todas as crianças em Moçambique tenham um início de vida saudável, seguro e com acesso a oportunidades.
A FDC reafirma o seu compromisso com a primeira infância como base para um futuro sustentável, justo e inclusivo para todos.