
6 homens saíram para o mar naquela manhã. Só 1 voltou com vida! Essa é a história real de Gildo Bernardo – um jovem de origens humildes, que sobreviveu a uma tragédia no oceano e encontrou o caminho para reconstruir a própria vida através da FDC.
Natural de Vilankulo, Gildo cresceu apenas com a mãe e as irmãs, depois de o pai ter formado outra família fora do país. A infância foi marcada por privações: ia à escola descalço, ajudava em casa e enfrentava diariamente os limites da pobreza – mas nunca desistiu de aprender.
Tudo mudou quando aceitou um convite para ir à pesca pela primeira vez. De repente, Uma tempestade virou o barco e despejou a todos. Sem saber nadar, e agraciado com muita sorte, Gildo viu-se no mar bem ao pé de um tronco, onde agarrou-se ao destroço enquanto via os colegas desaparecerem nas águas. Dos 6 pescadores, cinco perderam a vida. Ele foi o único sobrevivente.
Resgatado horas depois, já em estado de exaustão e choque após dois barcos passarem (o primeiro não o viu e o segundo fez o resgate).
Gildo carregou durante anos o trauma daquela experiência. O mar nunca mais voltou a ser o mesmo. Após o acidente perdeu a casa, ficou sem abrigo e precisou da solidariedade de professores e membros da comunidade para continuar a estudar – ele foi expulso do bairro pelos vizinhos acusado de ter supostamente emboscado os amigos. “Você também deveria morrer” – afirmou uma das vizinhas, citada por Gildo.
Foi então que surgiu a oportunidade que mudaria tudo – o Centro de Formação Profissional de Vilankulo (CFPV) da FDC. Sem dinheiro para transporte, fazia cerca de 17 km a pé para assistir às aulas de Canalização. E uma curiosidade – ele nunca faltou às aulas.
Após a graduação, começou com pequenos serviços locais. O talento destacou-se rapidamente, abrindo portas em várias empresas até ser contratado pela ACUTREX AS, prestadora de serviços à SASOL. Hoje, Gildo é Supervisor de Operações, coordenando equipas e projectos. Mas não parou por aí. Empregou três outros formandos do mesmo centro. Transformou a própria conquista em oportunidade para outros.
Uma das suas maiores vitórias foi reconstruir a casa da mãe, desta vez com água canalizada instalada por ele próprio. Para quem um dia carregou baldes de água por necessidade, hoje abrir uma torneira tem outro significado.


