
IV Conferência Mulheres na Economia defende mais formação, liderança e acesso a oportunidades para as moçambicanas
“Uma economia que não reconhece o talento das mulheres escolhe crescer abaixo das suas possibilidades’’-Ivete Alane
A afirmação da Ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, marcou a abertura da IV Conferência Mulheres na Economia, promovida pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), e resumiu o principal desafio lançado aos diferentes sectores da sociedade: transformar a participação das mulheres na economia em oportunidades reais de emprego, liderança e crescimento empresarial.
Realizada sob o lema“ Formação, Liderança e Conteúdo Local” , a conferência reuniu mulheres, empresárias, representantes do Governo, do sector privado, da academia, da sociedade civil e parceiros de desenvolvimento para reflectir sobre estratégias que permitam ampliar a presença feminina nos sectores estratégicos da economia moçambicana.
Na sua intervenção, Ivete Alane alertou para as persistentes desigualdades no mercado de trabalho, destacando que, embora as mulheres representem uma parte significativa da população economicamente activa, continuam sub-representadas nos espaços de decisão e nas oportunidades de emprego qualificado.
A governante defendeu a adopção de medidas concretas para garantir maior acesso à formação, ao financiamento, ao empreendedorismo e à liderança, reforçando que o desenvolvimento económico do país depende da valorização plena do talento feminino.
A conferência destacou igualmente a importância de investir na capacitação das mulheres como condição indispensável para uma economia mais inclusiva, dinâmica e sustentável.
Ao longo dos debates, foi reconhecida a contribuição das mulheres para o desenvolvimento de Moçambique, ao mesmo tempo que se analisaram os obstáculos que continuam a limitar o seu acesso a oportunidades de emprego, empreendedorismo e ascensão profissional.
A keynote speaker Dra. Clara de Sousa enfatizou o papel transformador da educação no empoderamento feminino, defendendo que a formação continua a ser uma das ferramentas mais eficazes para reduzir desigualdades e preparar as mulheres para posições de liderança.
“A educação continua a ser o maior elevador social. Precisamos preparar as mulheres para ocupar espaços de liderança quando as oportunidades surgirem”, afirmou.
Por sua vez, Graça Machel , PCA da FDC ressaltou a necessidade de assegurar uma participação mais activa das mulheres nos processos de desenvolvimento económico e tomada de decisão. Para a activista, Moçambique só conseguirá alcançar todo o seu potencial quando as mulheres tiverem acesso equitativo às oportunidades e puderem contribuir plenamente para a transformação económica e social do país.
Ao longo do evento, especialistas e representantes de instituições como a TotalEnergies, Standard Bank, Universidade Púnguè e Mozambique LNG partilharam experiências, boas práticas e iniciativas voltadas para a promoção da igualdade de oportunidades em áreas como ciência, tecnologia, energia, finanças e empreendedorismo.


